Em meio às (quase) infinitas possibilidades do vídeo digital, trago à memória a importante herança de Nam June Paik. Músico de formação, o coreano Paik, que estudou no Japão e na Alemanha, passou a investigar a música eletrônica e, mais tarde, os sons cotidianos, influenciado pelo movimento artístico Fluxus.
Em suas pesquisas, Paik buscava associar a música ao vídeo e à performance. Ficou conhecido por sua obra "TV Magnet" (1965), que consistiu em televisores distribuídos no ambiente da exposição com ímãs próximos aos aparelhos, o que lhes causava distorções na imagem por interferência magnética.
A criatividade com que Paik desenvolveu a linguagem artística chamada "videoarte" é espantosa. Apropriando-se do vídeo como um suporte em si, o artista desenvolveu obras visuais com o arranjo espacial de monitores de TV, estruturando aquários, jardins, torres, relógios, entre outros objetos. Atentando para a temporalidade manipulável dos vídeos que eram exibidos nesses televisores minunciosamente localizados, ele criava ambientações e narrativas, tornando suas obras ainda mais consistentes artisticamente.
Acima, registro da obra "TV Clock" (Nam June Paik, 1982): 24 televisores.
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